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Os fisioterapeutas têm evidências científicas de alta qualidade suficientes para orientar suas decisões no tratamento de fraturas?

Uma publicação recente de Ferreira AM et al. teve como objetivo mapear o perfil das pesquisas atuais sobre o manejo de fraturas. Utilizando a Physiotherapy Evidence Database (PEDro) para acessar evidências de alta qualidade sobre a efetividade das intervenções fisioterapêuticas, os autores analisaram os desenhos dos estudos, quais segmentos do corpo têm sido mais investigados e as regiões geográficas onde as pesquisas foram realizadas.

As autoras Aline Miranda Ferreira e Raquel Metzker Mendes Sugano responderam a algumas perguntas sobre o estudo.

 

Por que vocês realizaram este estudo?

As fraturas ósseas representam um grande desafio para a saúde em todo o mundo, causando incapacidade significativa e elevados custos para os sistemas de saúde. Para garantir que os pacientes recebam o melhor cuidado possível, a prática baseada em evidências é considerada o padrão-ouro. Queríamos descobrir se os fisioterapeutas dispõem de evidências científicas de alta qualidade suficientes para orientar suas decisões no tratamento de pessoas com fraturas.

 

Já existiam pesquisas que respondessem a essa pergunta?

Embora saibamos que as fraturas são uma prioridade para a saúde global, como destacado na iniciativa “Rehabilitation 2030” da Organização Mundial da Saúde, o panorama específico das evidências em fisioterapia para essas condições ainda não estava claro. Antes deste estudo, não se sabia se a quantidade e a qualidade das pesquisas eram suficientes para diferentes segmentos corporais e diferentes regiões geográficas.

 

O que vocês fizeram no estudo?

A equipe realizou um mapeamento abrangente das evidências disponíveis na PEDro. Foram pesquisados todos os estudos indexados até abril de 2025 utilizando o termo “fracture” nos filtros de musculoesquelético e ortopedia. Dois pesquisadores revisaram independentemente os resultados para selecionar ensaios clínicos, revisões sistemáticas e diretrizes de prática clínica focados na fisioterapia para fraturas.

 

O que foi avaliado?

Foram analisados o número e o tipo de estudos, os segmentos anatômicos (partes do corpo) investigados, a década de publicação e a distribuição geográfica dos ensaios clínicos. Também foi avaliada a qualidade metodológica dos ensaios clínicos por meio da Escala PEDro.

 

Quais foram os principais resultados?

Os resultados revelaram algumas lacunas importantes.

Primeiramente, a quantidade de evidências é limitada: entre todas as pesquisas em musculoesquelético e ortopedia disponíveis na PEDro, os estudos relacionados a fraturas representaram apenas 3,2%.

Além disso, as regiões do corpo mais estudadas foram o quadril (35,7%) e o punho/dedos (23,1%), enquanto outras áreas, como o joelho, diáfise de fêmur e úmero, permanecem pouco investigadas.

Em relação à qualidade metodológica, a pontuação média dos ensaios clínicos na Escala PEDro foi de 5,35 em 10.

Também foram identificadas apenas 12 diretrizes de prática clínica baseadas em evidências sobre o tema.

Por fim, a produção científica concentrou-se predominantemente em regiões desenvolvidas, como Europa, Ásia e América do Norte. A representatividade da América do Sul (1,2%), da África (0,2%) e da América Central (0%) foi extremamente baixa.

 

Quais são as recomendações do estudo?

Para fortalecer a fisioterapia baseada em evidências, futuras pesquisas precisam aumentar o rigor metodológico dos ensaios clínicos, tornando seus resultados mais confiáveis. Também é necessário ampliar o foco das pesquisas para segmentos corporais ainda pouco estudados e para questões clínicas importantes, como a mobilização precoce e a recuperação funcional.

Nosso estudo também demonstra a necessidade de apoiar a realização e a divulgação de pesquisas em regiões em desenvolvimento, onde a carga de trauma é elevada, mas as evidências produzidas localmente ainda são escassas.

Este estudo representa um chamado à ação para a realização de mais pesquisas de alta qualidade na área, permitindo que fisioterapeutas ofereçam um cuidado verdadeiramente baseado em evidências às pessoas em recuperação de fraturas.

 

Ferreira AM, et al. (2025). Does the scientific literature on fractures support evidence-based physiotherapy? Mapping the evidence on the PEDro platform. Physiotherapy Research International: e70110. DOI: https://doi.org/10.1002/pri.70110.

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