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Uma revisão sistemática constatou que a atividade física e o exercício melhoram a qualidade de vida e podem reduzir a dor e os sintomas psicológicos em mulheres com endometriose

Esta revisão sistemática teve como objetivo estimar a segurança e os efeitos da atividade física e do exercício, em comparação com o tratamento usual ou convencional, sobre a qualidade de vida, a dor, a saúde mental e outros desfechos relacionados em mulheres com endometriose, uma condição inflamatória crônica associada à dor pélvica e à redução da qualidade de vida.
Métodos
Foi realizada uma busca bibliográfica nas bases de dados PubMed, Medline, Embase, Cochrane Library e Web of Science, desde o início até maio de 2024. Apenas ensaios clínicos randomizados (ECRs) foram incluídos. Os estudos elegíveis envolveram mulheres diagnosticadas com endometriose e compararam qualquer intervenção estruturada de atividade física ou exercício (por exemplo, exercício aeróbico, ioga, treinamento de resistência ou técnicas de relaxamento) com o tratamento usual ou convencional. O desfecho primário foi a qualidade de vida. Os dados foram sintetizados utilizando o Review Manager 5.4, com os efeitos agrupados expressos como diferenças médias ponderadas (DMP) e intervalos de confiança (IC) de 95%. A heterogeneidade foi avaliada utilizando a estatística I², e modelos de efeitos fixos foram aplicados quando apropriado. O risco de viés foi avaliado utilizando a ferramenta de risco de viés da Cochrane. A certeza da evidência não foi avaliada.
Resultados – Ensaios incluídos
Seis ensaios clínicos randomizados (ECR) envolvendo um total de 251 participantes foram incluídos. Os estudos foram conduzidos em diversos países, incluindo Espanha, Brasil, Austrália, Suécia, China e Estados Unidos. Os tamanhos das amostras variaram de 19 a 100 participantes, e as intervenções variaram consideravelmente em tipo, intensidade e duração (de 48 horas a 12 meses). As intervenções incluíram exercícios aeróbicos, ioga, alongamento, exercícios de estabilização lombopélvica, relaxamento muscular progressivo e programas de telessaúde ou realidade virtual. Apenas dois ECR (n = 71 participantes) apresentaram homogeneidade suficiente na apresentação dos desfechos para serem incluídos na metanálise. A qualidade metodológica geral foi variável, sendo as limitações mais comuns a apresentação incompleta dos desfechos e a ausência de cegamento.
Resultados – Desfecho
A metanálise de dois ensaios (n = 71) demonstrou melhorias significativas em múltiplos domínios da qualidade de vida, mensurados pelo Endometriosis Health Profile-30 (em uma escala de 0 a 100). Especificamente, reduções significativas (indicando melhora) foram observadas no domínio da dor (DMP -20,22; IC 95% -30,25 a -10,18; p < 0,0001; I² = 0%, n=64), no domínio do controle e da impotência (DMP -23,07; IC 95% -31,59 a -14,45; p < 0,00001; I² = 0%, n=63) e no domínio do bem-estar emocional (DMP -14,35; IC 95% -24,62 a -4,08; p = 0,006; I² = 9%, n=63). Não houve efeitos estatisticamente significativos nos domínios da autoimagem (p = 0,09) ou do apoio social (p = 0,17). Estudos individuais relataram melhorias na intensidade da dor (por exemplo, menores pontuações na escala visual analógica em intervenções com ioga), saúde mental (p < 0,001 em um ensaio clínico) e função dos músculos do assoalho pélvico e densidade mineral óssea. No entanto, os resultados para dor foram inconsistentes entre os estudos, com alguns ensaios clínicos não mostrando diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.
Não foram relatados eventos adversos.
Conclusão
A atividade física e o exercício parecem conferir benefícios significativos para mulheres com endometriose, particularmente na melhoria da qualidade de vida em domínios-chave como dor, bem-estar emocional e controle percebido. Houve algumas evidências de benefícios para dor, saúde mental, função dos músculos do assoalho pélvico e saúde óssea. No entanto, a força das evidências é limitada pelo pequeno tamanho das amostras, heterogeneidade nas intervenções e medidas de desfecho e limitações metodológicas. Mais ensaios clínicos randomizados (ECR) de alta qualidade e com poder estatístico adequado, com desfechos padronizados e acompanhamento mais longo, são necessários para fortalecer as recomendações clínicas.
Xie M, Qing X, Huang H, Zhang L, Tu Q, Guo H, Zhang J. The effectiveness and safety of physical activity and exercise on women with endometriosis: A systematic review and meta-analysis. PLoS ONE. 2025;20(2):e0317820.

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